Para o crente em Jesus a fé é uma virtude primaz. Sem ela é impossível agradar a Deus, com ela vencemos o mundo, por meio dela vivemos o impossível e por ela somos salvos.
Meu coração palpita sempre que penso na profundidade da fé.
Busco exemplos na Bíblia, e confesso que eles me espantam. Na maioria das vezes os exemplos me parecem inatingíveis. E ao confrontar com a minha experiência...fico sem graça!!!!
Dia desses encontrei um exemplo que me consolou, e me fez entender um pouco mais das contradições da fé no coração humano. É a história relatada em Marcos 9:14-26. Quando um pai cansado busca a ajuda de Jesus para seu filho. E confessa diante do Senhor: "Creio, ajuda-me a vencer a minha incredulidade! (v24)" Diante de Jesus, e agora diante dos meus olhos apareceu um homem que crê com incredulidade, e não obstante confessa!!! Essa confissão sobre a fé é para mim uma das mais belas que encontrei na Escritura, pois a mim parece a que melhor expressa a experiência da vida de fé!
Caminhamos uma jornada de fé totalmente desconhecida. Em que a única certeza é justamente a incerteza do próximo instante. Por isso a vida, mesmo a do cristão é uma aventura. Supõe-se que será uma boa ventura, cremos nisso.Isso nos ajuda a lidar com a incerteza que a fé nos impõe.
Mas ás vezes precisamos simplesmente reconhecer a desventura.
Chorar o morto, Apagar a vela, Deitar-se,Pedir silêncio, Fazer o luto!
Mesmo que saibamos que para nós não existe morte, pois Ele venceu a morte com a ressurreição.
Mas infelizmente, sobre tudo queremos afirmar. De tudo queremos a certeza. E quando não a temos, alegamos que os propósitos são divinos. Que se pode descansar! Quanto engano...O que sabemos dos divinos propósitos? Sabemos apenas o suficiente para caminhar hoje, no máximo aguardar o dia de amanhã. Aquele amanhã que nasce na madrugada do hoje. Jamais o amanhã da próxima estação.
Há uma certa prepotência em nós que luta para esconder a ignorância, essa que nos assusta.
A ignorância do futuro, a ignorância da minha própria fé. Afinal o que sabemos sobre a nossa fé se não nos permitimos viver a incerteza da caminhada?
Proibimos gemer o medo e reconhecer a dúvida, a sombra da nossa incredulidade
Permitimos engolir o choro e maquiar a dúvida, a sombra da nossa hipocrisia
E assim caminhamos na falsa esperança de viver a fé. Prepotentes incertos, cheios de máximas, gírias e chavões. Todos sonoros e impactantes: "Deus sabe"!, "É no tempo de Deus.",
Deus é soberano! Deus proverá!" Nessas piedosas expressões pensamos demonstrar a fé, ás vezes até vivê-la.
Uma fé sem humanidade, sem ser humano. Uma fé que nem o próprio Cristo exigiu, já que Ele
viveu toda a sua humanidade, e não esconde de si e nem de nós a nossa condição de seres não tão crentes quanto medrosos. Ele apenas recebeu as nossas dúvidas, nossos medos, nossos cansaços.
Reconheceu a nossa pequena fé, e sobre ela atuou.
Das três coisas que perduram a fé é sem dúvida a virtude impossível de ser vivida
sem que reconheçamos a profundidade de nossa humanidade. Afinal a fé é uma certeza esperançosa, e uma prova do invisível! Portanto a fé é uma loucura. Irracional e incontida em suas múltiplas formas de ser vivida. E essa fé em Cristo Jesus, oferta do próprio Pai a nós,
Que torna a caminhada do crente uma grande aventura. Cheia de surpresas, expectativas, percalços e frustrações.
Diria que é a virtude cristã mais emocional. Para experimentá-la alguns foram chamados a dar gritos, avançar na direção de exércitos maiores e mais fortes, dar treze voltas ao redor de um muro, mergulhar três vezes em um rio para ser curado...
O autor e consumador dessa fé foi chamado a morrer numa cruz para trazer vida!!!
O ápice da loucura de um amor eterno!
Escrevo tudo isso para pedir que me deixem viver minha fé com toda a sua intensidade
Que não me interrompam com seus chavões sobre Deus e sua intervenção na vida do ser humano. Que não me venham falar de soberania, própositos, provisão e tempos divinos...
Isso tudo eu já sei, e ainda creio.
O que me interessa é saber como vivo pela fé? Como faço para ter em minha vida as obras da fé?
Obras como a de Raabe, Abraão e tanto outros que vivem comigo nessa geração. Destes que por não racionalizarem a fé, mas apenas por ela viver tem experimentado a grandeza do poder de Deus. Destes que tem ouvido de Jesus o que muitos ouviram no passado: "Vá em paz! A tua fé te salvou!"
Uma coisa eu já sei: é Ele quem me dá a fé, e quem a consuma. Quero viver nessa fé que me foi concedida, quero vê-la consumada. Quero viver de aventuras de fé com uma entrega absoluta...
Enlouquecida, convicta, ousada!
Que Cristo me ajude e me ouça: Creio ajuda-me na minha incredulidade!
por Rquel Barbosa
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2 comentários:
Belo texto! Admitir hoje uma dependência de Deus ainda é extremamente necessário. Admitir fraquezas numa sociedade onde as pessoas se mostram sempre fortes e alegres, nos mostra a necessidade de caminhar com Deus.
parabéns, bom texto!
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